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Analítica da Aprendizagem enquanto diferencial competitivo

March 9, 2018 09:52
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Houve um período em que a adoção de modelos de gestão mais competitivos por si só era suficiente para que uma instituição educacional conseguisse obter resultados superiores às demais. Isso não foi simples, foi inovador e gerou resultados significativos. No entanto, com o tempo, os modelos de gestão se mostraram, por um lado, limitados e, por outro, transferíveis e copiáveis. O cenário futuro traz desafios ainda mais complexos. Entre eles, o fato de que as instituições que souberem incorporar adequadamente as novas tecnologias e as metodologias inovadoras serão aquelas que se destacarão e terão como recompensa a oportunidade de conjugar, com sustentabilidade, escala e qualidade. Entre as tecnologias com maior potencial de aproveitamento, em termos de resultados acadêmicos, destaco a Analítica da Aprendizagem.

Analítica da Aprendizagem (em inglês, “Learning Analytics”) é a metodologia que permite que os educadores possam tomar decisões levando em conta análises sistemáticas e elaboradas de dados dos educandos e dos contextos educacionais nos quais a aprendizagem se desenvolve. A partir da análise dos dados acerca de quanto e de como os alunos estão aprendendo, é possível uma percepção mais apurada das realidades educacionais. Tais procedimentos viabilizam que desenhos educacionais adequados (em inglês, “Learning Designs”) possam ser propostos, bem como estratégias e trilhas de aprendizagem diversas sejam implementadas. Ao mesmo tempo, esta metodologia colabora na seleção de quais recursos, inclusive tecnológicos e modos de entrega de conteúdos, são os mais adequados para cada contexto e, no limite, para cada educando.

Na verdade, os professores no ensino tradicional utilizam de forma corriqueira dados nos processos de ensino. Porém, o fazem, em geral, em uma versão limitada e preliminar, precursora daquilo que hoje denominamos Analítica de Aprendizagem. Por exemplo, notas finais, resultante de alguns poucos produtos, têm consequências relevantes, tais como aprovar ou não os alunos. Excepcionalmente, docentes mais dedicados conseguem, fruto de suas sensibilidades, perceber peculiaridades de uma turma de estudantes, identificar carências típicas e alterar procedimentos, porém, são casos raros e em pequena escala. Em geral, os dados disponíveis, alguns rendimentos acadêmicos dos alunos, são insuficientes para motivar e orientar mudanças de percursos educacionais. Analítica da Aprendizagem, em tese, permite e estimula adaptações, melhorando a aprendizagem à medida que reconfigura, em tempo hábil, os processos educacionais, customizando-os às realidades específicas e, sempre que possível, às características de cada um dos atores envolvidos.

 

Em profundo contraste com os poucos dados disponíveis até pouco tempo (basicamente notas de provas individuais), graças às tecnologias digitais, hoje dispomos de uma abundância de informações (“big data”), que nos permite tentar entender, de forma inédita e inovadora, realidades educacionais complexas. Adicionalmente às formas usuais de avaliação, podemos explorar, dentre inúmeras outras possibilidades, dados resultantes de: i) nível e velocidade de assimilação de informações, ii) capacidade do estudante de acessar conteúdos e sua autonomia na utilização de conhecimentos, iii) características das respostas “erradas” em testes de múltipla escolha, iv) habilidades de comunicação via capacidade de interpretação e de redação de textos complexos, v) habilidade de colaboração em equipe, percebendo e conjugando fragilidades e potencialidades de cada membro, vi) produtividade e efetividade na confecção de artefatos, vii) competência na solução de problemas e no cumprimento de missões, viii) atitudes e comportamentos socioemocionais diante de desafios complexos, ix) letramento matemático, e x) adaptação individualizada a diferentes modos de entrega de conteúdos.

A título de exemplo, vejamos, em particular, o item iii) acima, referente a como podemos fazer uso das respostas não certas (na Analítica da Aprendizagem elas são tão relevantes como as corretas) para melhorarmos o aprendizado. De forma simples, suponhamos que em um certo item do teste de múltipla escolha a resposta correta seja b). É possível um enunciado, especialmente assim desenhado, que busque identificar o educando que, mesmo dominando os conceitos básicos envolvidos, porque lê sem a devida atenção, opte por a). Neste caso, é uma potencial indicação de que se trata de aluno cuja capacidade de foco merece toda nossa atenção. Agora, suponhamos que, apesar de ter estudado e compreendido o tema objeto, o estudante, mesmo concentrado, tenha dificuldade em interpretação de textos um pouco mais complexos. É possível construir um enunciado que, provavelmente, fruto desta deficiência, ele seja guiado para alternativa c). da mesma forma, imaginemos alguém que tenha fragilidade em letramento matemático; assim, mesmo com domínio eventual do conteúdo, uma operação matemática na qual ele tenha dificuldade, o leva à alternativa d). Por fim, um enunciado especialmente preparado pode tentar identificar, caso a caso, mais do que uma falha no domínio do conteúdo geral, podemos estar diante de deficiência em um particular conceito específico envolvido e, sendo este o caso, ele, provavelmente, optará pela alternativa e).

A receita acima é puramente ilustrativa e não há a menor chance de, a partir de um único item ou de um único teste, afirmarmos algo substantivo. No entanto, fruto de questões e respostas abundantes, e como um elemento a mais no conjunto mais amplo de dados qualificados acima citados, certamente, há características educacionais relevantes que podem ser extraídas. O grande segredo é que, a partir de uma quantidade imensa de informações, algumas considerações mais bem embasadas podem começar a ser ponderadas acerca dos contextos educacionais específicos e sobre cada educando em particular.

Uma vez que tenhamos material mais consolidado e adequadamente analisado, podemos começar a construir caminhos educacionais múltiplos e personalizados. São trilhas individuais que dão conta, ou tentam dar conta, de: i) melhorar capacidade de foco, ii) aprimorar competências em ler e escrever textos mais complexos, iii) orientar e capacitar em operações matemáticas básicas, iv) explorar um particular conceito sobre o qual o aluno demonstrou fragilidade etc.

Curiosamente, quanto mais estudantes, maior o número de testes e quanto mais analistas e curadores de conteúdo tivermos, mais bem elaborados serão os caminhos e abordagens específicas que poderemos propor. Para quem sempre associou qualidade a poucos e má qualidade a muitos, temos um novo paradigma: a escala que gera qualidade.

Começamos, portanto, a construir algoritmos educacionais inteligentes que nos permitem sair do artesanato e de outras limitações, que caracterizam o ensino tradicional, para darmos respostas qualificadas às demandas e propiciarmos atendimento em grande escala. Esta é marca de uma educação contemporânea onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada qual de maneira única. Este é o caminho de uma educação flexível, híbrida, adaptativa e personalizada.    

Quanto, em especial, às empresas educacionais e suas instituições de ensino, cabe destacar que os desafios em busca da sustentabilidade e de lucratividade, por certo, dependem de bons modelos de gestão. No entanto, enquanto a guerra pode, de fato, ser perdida na gestão, por outro lado, para se ter conquistas substantivas há que se explorar metodologias inovadoras que façam uso adequado de novas tecnologias. Neste caso, não há soluções milagrosas e nem receitas prontas. Mas, por certo, Analítica da Aprendizagem é ingrediente indispensável para enfrentar, com sucesso, os desafios educacionais contemporâneos.

Ronaldo Mota é Chanceler da Estácio

Analítica da aprendizagem disposicional: melhor agora do que depois

February 16, 2018 10:19
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Os dados oficiais do ensino superior brasileiro mostram que as matrículas na modalidade presencial entre os anos de 2012 a 2016 avançaram 10%, enquanto na educação a distância o crescimento foi de 34%. Quanto ao número de concluintes, no ensino presencial a variação positiva nesse período foi de 7% e na modalidade a distância de 32%. Os dados mais impressionantes referem-se aos números de ingressantes. Frente ao substantivo crescimento de 44% em educação a distância (aproximadamente 542 mil ingressantes em 2012 contra 781 mil em 2016), houve uma redução de mais de 18% (2.204 mil ingressantes em 2012 para 1.858 mil em 2016) no ensino presencial.

No início desta década, qualquer alerta acerca do incrível potencial de crescimento da modalidade a distância seria objeto de alguns olhares de desconfiança. Da mesma forma, para a maioria, ainda não era clara a forte tendência para a dominância do e-learning (baseado na internet), em contraposição ao chamado semipresencial. Idêntico ceticismo valeria para a previsão de que o dispositivo dominante de aprendizagem online viria a ser o celular, como é hoje, e não os computadores, notebooks e tabletes.

Contemporaneamente, um dos grandes desafios no ensino superior é dimensionar o papel da analítica da aprendizagem (em inglês, “learning analytics”). Esta ferramenta e suas evoluções se mostrarão, cada vez mais, essenciais e imprescindíveis, contribuindo nos desenhos dos processos de aprendizagem mais efetivos.

Analítica da aprendizagem diz respeito à técnica que se caracteriza pela coleta sistemática e pela análise rigorosa de dados dos educandos e de seus contextos educacionais, tendo como propósito o entendimento dos processos de aprendizagem e dos ambientes nos quais eles ocorrem. Assim, é possível desenvolver e aprimorar desenhos de aprendizagem (em inglês, “learning designs”), nos quais múltiplas trilhas educacionais podem ser construídas e disponibilizadas aos alunos. Nesta perspectiva, é possível viabilizar processos personalizados, atendendo características peculiares de cada educando ou próprias do ambiente educacional específico.

Nos estágios iniciais da analítica de aprendizagem, os estudiosos se limitavam a modelos preditivos simples baseados em dados extraídos das informações disponíveis dos estudantes. O uso crescente de plataformas digitais pelos alunos e dos sistemas de gestão de aprendizagem pelas instituições, progressivamente, tem gerado uma quantidade inédita de dados qualificados. A partir deles, observamos avanços significativos nas aplicações da analítica da aprendizagem, nos desenhos educacionais propostos e nas intervenções pedagógicas deles decorrentes.

Mais recentemente, foi introduzida a estratégia da analítica da aprendizagem disposicional (em inglês, “dispositional learning analytics”), a qual combina os dados gerais de aprendizagem com elementos disposicionais próprios dos educandos, incluindo seus comportamentos, suas atitudes e seus valores. A coleta desses dados disposicionais tanto pode ser realizada via respostas fornecidas diretamente pelos próprios estudantes, como via o monitoramento de suas reações, a partir de situações induzidas com propósitos específicos.  Os aspectos disposicionais que estamos interessados devem representar diferenciais característicos dos educandos e de suas circunstâncias, incluindo aspectos comportamentais, cognitivos, metacognitivos (envolvendo a percepção do aprendiz sobre a própria aprendizagem) e afetivos.

No Brasil, temos a oportunidade de adotar quanto antes esta estratégia, em complemento às metodologias inovadoras associadas e às novas tecnologias disponíveis. A aplicação da analítica da aprendizagem disposicional, certamente, contribui para a construção de abordagens educacionais que viabilizem que todos aprendam, aprendam o tempo todo e em qualquer lugar, e, especialmente, que cada um aprenda de maneira única e personalizada.

Ronaldo Mota é Chanceler da Estácio

Avaliando o Aprendizado: ótima oportunidade para fazer a gestão da aprendizagem de seus alunos

May 23, 2017 16:44
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Prezado (a) Professor (a),

 

Você sabia que o Avaliando o Aprendizado é uma ótima oportunidade para fazer a gestão da aprendizagem de seus alunos?

 

Acompanhe, por meio dos relatórios do Avaliando a Aprendizado, a adesão de seus alunos, os resultados obtidos nos simulados e, ainda,

Assim, você poderá identificar os pontos fracos e as necessidades de reforço, inclusive resolvendo em aula as questões com menor índice de acerto.

Acesse os relatórios do Avaliando o Aprendizado para acompanhar o desempenho de seus alunos. Siga os seguintes passos:

  1. Acesse a página http://simulado.estacio.br/docentes/;
  2. Faça o login com a matrícula e a senha utilizadas;
  3. Após a página carregar com seus dados, clique em Minhas Turmas;
  4. Selecione em Período Acadêmico a opção 2017.1;
  5. Selecione, em Relatório, a opção AVALIANDO O APRENDIZADO;
  6. Após a página carregar, visualize os dados: quantidade de alunos, adesão, total de simulados da turma, quantidade de simulados e relatório detalhado;
  7. Para informações de cada aluno, clique em Relatório Detalhado;
  8. Após a página carregar os percentuais de acerto de cada aluno que realizou os simulados, você também pode visualizar as questões respondidas pelo aluno clicando nos números que indicam o percentual de acerto em cada simulado realizado.
  9. Também é possível visualizar o Desempenho Médio das Questões, basta clicar em Desempenho médio das questões utilizadas nesses simulados.


Acompanhe seus alunos neste projeto e continue contribuindo para a solidificação de uma cultura de avaliação. Outras informações consulte o site do projeto: http://avaliando.savaestacio.com.br/

 

Diretoria de Serviços Pedagógicos VP de Ensino

Pedagogia do Tombo

March 28, 2017 15:46
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Alguns ambientes educacionais pretendem se assemelhar a estradas bem pavimentadas, onde nelas professores e alunos dirigem com total visibilidade e com relativa certeza de onde querem chegar. Como já abordado antes, trata-se de ledo engano. A vida real é, naturalmente, cheia de buracos, às vezes sem acostamentos, e periodicamente carregada de densa neblina.

Ou seja, a maioria das metodologias educacionais, envolvendo os respectivos procedimentos e abordagens, tem tradicionalmente adotado como objetivo central evitar os tropeços dos alunos. Fundamentalmente, o ensino tradicional, ao informar, o faz para que o educando acerte e evite, a qualquer custo, os erros. De forma resumida, ter sucesso, normalmente, quer dizer não levar tombos, sabendo responder as questões corretamente e completando positivamente e no menor tempo possível os desafios apresentados.

A título de exemplo, num teste padrão de múltipla escolha interessa, em geral, somente a resposta certa, sendo que, usualmente, as respostas erradas nada mais são do que respostas erradas. A educação contemporânea, no contexto dos usos adequados das tecnologias digitais, diverge frontalmente de tal postura. Atualmente tendemos a aproveitar tanto a resposta certa, valorizando o aprendido, como a resposta errada, como elemento que ilumina os caminhos de superação das deficiências. Os erros, potencialmente, podem dizer mais sobre o educando do que o acerto eventual. Analítica da aprendizagem (“learning analytics”, em inglês), como apresentado em outros textos, é ferramenta indispensável na compreensão de quem é o educando, incluindo saber mais e melhor sobre seus predicados e fragilidades. A partir deste conhecimento, podemos desenvolver trilhas educacionais personalizadas e adequadas.

Os modelos padrão e suas práticas usuais de ensino têm sobrevivido porque níveis razoáveis de sucesso puderam ser observados no passado, gerando a expectativa de que, provendo informações com competência e evitando os tropeços, teríamos

solução educacional também para o presente e, eventualmente, até mesmo para o futuro. Nada mais ingênuo. Os velhos tempos, onde razoáveis eficiências e eficácias educacionais foram observadas, se caracterizam, principalmente, pela previsibilidade do mundo do trabalho, por demandas profissionais bem estabelecidas e futuros próximos razoavelmente conhecidos. Os novos tempos apresentam mudanças profundas, implicando em desafios inéditos, onde o ensino tradicional, tal como o praticamos, dá mostras claras de incapacidade de decifrá-los ou resolvê-los.

Entre as rápidas mudanças em curso está aquela que torna progressivamente a informação o produto mais disponível e o mais barato da atualidade. O surgimento de uma sociedade em que a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente adquirível traz consequências educacionais ainda não assimiladas e, por vezes, sequer percebidas. As ênfases e os focos demandam imediatas mudanças, em especial deslocando o centro do processo de aprendizagem baseado no simples saber, enquanto ser informado, em direção ao complexo saber resolver, baseado na informação assumida como completamente disponível, instantânea e gratuita.

Mais do que o simples acesso à informação, gerir corretamente o conhecimento disponível, trabalhar em equipe e assim decifrar e resolver os problemas passam a ser atitudes fundamentais, tanto no mundo profissional como no dia-a-dia. O ensino segmentado e com terminalidades definitivas dá lugar à educação permanente ao longo da vida, onde o aprender a aprender é mais relevante do que o aprender em si. Mais importante do que aquilo que foi aprendido, é ampliar a consciência e o domínio acerca dos mecanismos associados a como se aprende.

Assim, os novos tempos impõem uma realidade em que é mais importante focar no processo de aprendizagem e nos procedimentos de superação, após o erro, do que a obsessão simples por, a partir das informações adquiridas, tentar nunca tropeçar. Não há nenhuma garantia de que aqueles que nunca tropeçaram saberão levantar, caso errem. Mas há fortes indicadores de que aqueles que aprenderam a aprender terão todas as condições de enfrentar os tombos. Muito mais importante que evitar tropeços, portanto, é aprender a levantar.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá