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Economia e educação: algo está acontecendo!

February 26, 2018 16:02
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Vivenciamos grandes transformações, rápidas, profundas e em todos os setores. O motor principal que impõe tal velocidade e que define o nível de radicalidade das mudanças está associado à migração, ainda em curso, em direção a uma sociedade em que a informação se torna totalmente acessível, instantânea e basicamente gratuita.

Os hábitos e os costumes se moldam também a partir de novos pressupostos, despertando a necessidade de os interpretarmos sob diferentes ângulos. Em resumo, algo está acontecendo, é de grande monta e a todos afeta, permitindo ser visto sob qualquer ponto de vista.

Como referência ilustrativa, adota-se aqui um aspecto específico, a capitalização de mercado, que é somente uma das medidas do tamanho de uma empresa. Trata-se do valor de mercado total das ações em circulação de uma empresa, também conhecido como limite de mercado.

Impactos da transformação digital

Durante o século passado, as maiores empresas do mercado acionário estiveram associadas à energia (basicamente petróleo), à indústria automobilística e ao setor bancário. Na virada do século, há apenas 17 anos, entre as cinco primeiras aparecia, de forma inédita, uma empresa do mundo da informática, a Microsoft.

A 4ª Revolução Industrial está transformando todos os setores, inclusive a educação

Neste caso, dividindo as primeiras colocações com duas de energia (Exxon e GE), um banco (Citi) e uma empresa de varejo (Walmart).

O quadro atual, conforme descrito no Relatório 2017 da respeitável PricewaterhouseCoopers, lembra pouco aquele anterior. A empresa que atualmente é, pelo sexto ano seguido, a número 1 do ranking (Apple) sequer constava entre as cinco maiores no começo deste século. Além disso, a única que ainda sobrevive nesse restrito clube é a Microsoft.

Desnecessário chamar a atenção para o fato de que atualmente todas, sem exceção, estão diretamente associadas ao mundo das tecnologias digitais. Por outro lado, empresas como a GE já não constam entre as 100 maiores.

Atualmente, empresas baseadas em tecnologias digitais representam a maioria, acompanhadas, com certa distância, por aquelas do setor financeiro e, na sequência, companhias do setor de varejos. Os Estados Unidos, ao contrário do que possa parecer aos incautos, têm aumentado sua participação (hoje em 55%) entre as 100 maiores, e é a sede das dez principais empresas.

É cada vez mais notável a presença crescente de empresas chinesas, como era de se esperar, e a Europa, que detinha 36% do mercado há 10 anos, agora detém somente 17%. A título de comparação, o Brasil em 2009 tinha três companhias listadas entre as 100 maiores. Hoje resta somente uma.

Relações entre economia e educação

As transformações na economia impactam, bem como são afetadas, pelos cenários educacionais vigentes. As tecnologias digitais invadem as escolas e impregnam o seu entorno, em especial no que diz respeito aos cidadãos e profissionais que nelas se formam. Elas transcendem os espaços de aprendizagem e também ocupam e definem as oportunidades de novos empregos e de negócios inovadores.

Como a educação 4.0 mudará nossas escolas?

Assim, as consequências educacionais são complexas, múltiplas e ilimitadas. Uma delas, a mais simples e direta, é que os modelos educacionais e as estratégias de ensino e aprendizagem fortemente influenciados pelos referenciais Fordistas/Tayloristas, dominantes no século XX, já não são mais suficientes. Ou seja, a escola tradicional, que desempenhou, com competência e pertinência, papel central em tempos recentes, está distante de atender plenamente às demandas do mundo contemporâneo.

 

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram o centro, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Em termos mais simples, aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do que aquilo que foi aprendido.

 

Explorar esta nova realidade — onde todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um aprende de forma personalizada e única — é o maior de todos os desafios do mundo da educação.

 

Ronaldo Mota é Chanceler do Grupo Estácio

Novo projeto dos pilares Escola e Cidadania contribuirá para a redução do analfabetismo

February 9, 2018 16:15
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A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos de idade ou mais no Brasil foi estimada em 7,2% (11,8 milhões de analfabetos). Esse percentual apresentou relação direta com a faixa etária, aumentando à medida que a idade avançava, até atingir 20,4% entre as pessoas com mais de 60 anos. O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

O total de analfabetos mostra que o país ainda está distante de cumprir a Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei n. 13.005. O PNE estipulava a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015.

Recentemente, um estudo ressaltou a influência do analfabetismo na saúde, na renda e no planejamento familiar do adulto. Outro fato relevante dentro dessas estatísticas é o alto índice de mulheres analfabetas entre os números de violência doméstica. Segundo artigo publicado na Revista Latino Americana de Enfermagem, mulheres sem letramento, tendem a ser mais vulneráveis a opressão.

Analfabetismo afeta a autoestima e a qualidade de vida do indivíduo, tendo ligação direta com sua saúde, planejamento familiar e renda.

É com essa preocupação e alinhada com a missão da Estácio, que a Vice-Presidência de Relações Institucionais e Sustentabilidade implantará em 2018 o projeto piloto do curso de Alfabetização e Letramento de adultos. O projeto terá início em três unidades da Estácio no Rio de Janeiro e contribuirá para a consolidação da missão da Estácio de educar para transformar, possibilitando que centenas de adultos analfabetos se tornem mais autônomos por meio da educação. Trata-se de uma iniciativa dos pilares Escola e Cidadania do Programa de Responsabilidade Social Corporativa – Educar para Transformar.

Segundo Cláudia Romano, vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Estácio, “o projeto de alfabetização e letramento de adultos tem o objetivo de ampliar a contribuição social da Estácio, impactando as comunidades no entorno das nossas unidades e deixando um legado de forte impacto social e humanitário.”

Nosso Presidente Pedro Thompson, grande entusiasta desse projeto, acredita que os resultados ultrapassarão a questão da alfabetização e letramento em si, contribuindo para que as pessoas se tornem cidadãos mais conscientes de seus direitos.

O projeto piloto será mensurado por indicadores pré-estabelecidos para posterior expansão, em fases, para outras unidades da Estácio.

Economia comportamental e educação

October 11, 2017 14:44
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Richard H. Thaler, professor da escola de negócios da Universidade de Chicago, acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Economia 2017 por suas contribuições em economia comportamental. Seus trabalhos ajudam a compreender como as pessoas tomam decisões sobre consumo, trabalho, investimentos e demais aspectos da vida, demonstrando que os traços humanos afetam sistematicamente nossas decisões.

Ao minimizarem aspectos comportamentais, as teorias econômicas convencionais, em geral, assumem que somos totalmente racionais e que a objetividade é o guia dominante das decisões econômicas. Thaler foi um dos pioneiros na aplicação da psicologia ao comportamento econômico, esclarecendo como as pessoas tomam decisões financeiras, por vezes rejeitando a racionalidade.

O centro do raciocínio é que somos humanos, existe o indivíduo e ele precisa ser levado em conta. Na prática, mesmo sendo racionais, nossos comportamentos desviam de julgamentos puramente sistemáticos. Tais tendências estão associadas ao que chamamos genericamente de viés cognitivo e decorrem de motivações emocionais ou de influências sociais diversas. Além disso, há que se levar em conta os inevitáveis atalhos no processamento de informações ou as limitações inerentes às habilidades de nosso cérebro, incluindo distorções no armazenamento e recuperação de memórias.

Em educação fenômeno semelhante ao campo da economia comportamental está em curso. Ensino tradicional é centrado na transmissão de conteúdos e na assimilação de técnicas e de procedimentos. Gradativamente, novas habilidades, assentadas em aspectos socioemocionais e no incremento da capacidade de aprender a aprender, ocupam mais espaço. Portanto, na formação de profissionais contemporâneos há que se somar aos conhecimentos básicos os indispensáveis aspectos complementares cognitivos e metacognitivos.

Metacognição diz respeito àquilo que transcende a cognição simples, incluindo nossa percepção de como aprendemos, as habilidades de realizar conexões entre diversas áreas do saber, contribuindo para a solução de problemas complexos, a capacidade de comunicação, as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe e os outros aspectos socioemocionais. Compreender os vieses cognitivos ou metacognitivos torna-se especialmente relevante em um mundo com ênfase em economia comportamental e de informação plenamente disponível, de forma instantânea e gratuita.

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades são: 1) letramento geral sofisticado, que vai muito além da alfabetização, contemplando a capacidade comprovada de escrever e interpretar textos mais complexos, e o letramento matemático, que transcende as operações matemáticas mais simples; 2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e desenvolvimento de softwares e aplicativos; e 3) percepção de onde estamos, via a capacidade de entender aspectos históricos e geográficos, entendendo as diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos.

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado são: 1) habilidade de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende; 2) capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados; 3) efetividade em juntar diferentes áreas do saber e das artes, com especial disposição para a área de gestão de informações; 4) efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos; 5) inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva; 6) disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e 7) competência em colaborar em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

 

Ronaldo Mota é Chanceler da Estácio

Educar é emancipar contra o “efeito manada”

September 4, 2017 12:26
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Tenho procurado começar as aulas e palestras com exemplos simples da vida cotidiana. Um deles diz respeito à nossa provável primeira experiência logo após acordar. Ao nos depararmos no banheiro com um piso cerâmico e um tapetinho para os pés, evitamos o “frio” do piso cerâmico e sentimos conforto no abrigo “quente” do tapete. Este é o senso comum. Ocorre que, contrariamente à nossa percepção, tanto o piso como o tapete estão exatamente à mesma temperatura. Se alguém está em temperatura diversa deles é nosso corpo (em torno de 36o C).

Por que então a sensação térmica tão diversa? Há uma explicação, racional e simples. Os átomos e as moléculas que compõem os entes citados estão em constante agitação térmica e quanto maior forem os movimentos dessas partículas maior será a temperatura dos objetos. Processos de transferência de calor ocorrem entre corpos a diferentes temperaturas.  Quando em equilíbrio térmico, não há este processo. Piso ou tapete, ao entrarem em contato com o corpo mais quente, ambos dele recebem energia térmica, enquanto o corpo humano se esfria. As velocidades com que os processos de transferência de calor ocorrem nos dois casos são diferentes.  O piso cerâmico conduz energia rapidamente, resultando a sensação de frio. No caso do tapete, a perda de energia é relativamente lenta, promovendo a sensação de conforto.

Mesmo com conhecimento superficial dos conceitos envolvidos, a reflexão metódica e científica contribui para irmos além do senso comum, evitando o “efeito manada”, onde somos guiados pela percepção simplória, às vezes equivocada. O mesmo raciocínio vale para quando repetimos, acriticamente, o que os demais dizem ou pensam sobre assuntos gerais, ainda que sequer tenhamos refletido mais adequadamente sobre os temas específicos. Enfim, se logo cedo somos capazes de elucidar minimamente o enigma piso-tapete-corpo humano, somos estimulados a, seguindo a mesma estratégia, abordar qualquer outro assunto ao longo do restante do dia.

Biologicamente, nosso cérebro, ainda que composto de mais de uma centena de bilhões de neurônios e realizando mais de uma centena de trilhões de conexões sinápticas, não é capaz de processar todos os dados que nos chegam, via os diversos sensores.  Consequentemente, somos todos propensos a pegar atalhos, muitas vezes enganosos.

Há evidências de que a maioria tende a acreditar em pessoas que, segundo os critérios de quem analisa, estão bem vestidas ou com roupas similares de quem julga. Da mesma forma, há uma clara tendência de confirmação do que acreditamos à medida que convivemos, presencialmente ou virtualmente, com pessoas que pensam parecido. Ou seja, mesmo em temas polêmicos, priorizamos, ainda que inconscientemente, ouvir opiniões que confirmem nossas preconcepções e evitamos o convívio com aqueles que supomos, eventualmente, divergir.

Estarmos mais próximos daqueles com quem compartilhamos crenças ou opiniões parece natural e, para alguns mais ingênuos, até mesmo recomendável. No entanto, quando em dose exagerada ou excludente dos demais, podemos incorrer no risco de desprezar aqueles que, via suas sinceras críticas ou opiniões dissonantes, poderiam contribuir com as decisões que tomamos ou as convicções que formamos.

Entre as boas recomendações para lidarmos com elementos comportamentais de natureza tão complexa, incluem-se duas de primeira grandeza. Primeiro, acredite mais em seus próprios raciocínios, especialmente quando frutos da adoção de métodos científicos. Segundo, aprenda a ouvir a todos indistintamente, tanto aqueles que compartilham visões de mundo similares à suas como os demais que, por ventura, pensem de forma diametralmente oposta.

Educação tem tudo a ver com isso. Podemos, via a adoção de metodologias e abordagens, estimular tais atitudes ou, alternativamente, inibi-las. A partir do hábito de pensar cientificamente sobre as coisas do cotidiano e da prática de realizar balanços opinativos ancorados na diversidade, certamente construímos caminhos e pensamentos mais consistentes, sempre expostos às bem-vindas críticas. Assim, fruto dessas posturas, cultivamos o espírito crítico, libertário e solidário e a formação autônoma e independente de nossos próprios conceitos e opiniões.

Ronaldo Mota é Chanceler da Estácio

De volta ao planeta dos bonobos

July 24, 2017 15:56
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Os bonobos até há menos de um século eram, erroneamente, assumidos como formando uma subespécie dos bastante conhecidos chimpanzés. Mais recentemente, eles deixaram de ser confundidos, passando a ser reconhecidos como espécie própria. Na verdade, ambas as espécies, o bonono (Pan paniscus) e o chimpanzé comum (Pan troglodytes), formam o gênero Pan. Um dos motivos da demora na identificação da espécie dos bonobos foi que os contatos com eles eram raros, dado estarem todos concentrados em uma pequena região no Zaire, na África Central.

Os cientistas acreditam que o ancestral humano moderno tenha se separado dos chimpanzés e dos bonobos em torno de 8 milhões de anos atrás, sendo que estas duas espécies, por sua vez, se separaram entre si há aproximadamente 2 milhões de anos. Estudos recentes mostram que os bonobos, e não os chimpanzés, representam melhor o último ancestral comum com os humanos, fazendo dos bonobos nossos primos irmãos mais próximos. Seja pelo nível de compartilhamento de DNA (98,7%) ou pelas características mais assemelhadas em níveis de percepção, comportamentos gerais e habilidades. De acordo com Bernard Wood, pesquisador do Centro para Estudos Avançados de Paleobiologia Humana da George Washington University, a estrutura muscular dos bonobos alterou-se menos ao longo do tempo, tornando-os os seres vivos mais próximos do que seriam nossos ancestrais.

Do ponto de vista comportamental, os bonobos, diferentemente dos chimpanzés, podem partilhar alegremente seu alimento com um estranho e até mesmo desistir, altruisticamente, de sua própria refeição, como registrado pelos pesquisadores Jingzhi Tan e Brian Hare. Eles afirmam que suas descobertas podem ajudar a entender a origem do altruísmo nos humanos. Os cientistas compararam tais comportamentos a certos atos humanos de bondade, como por exemplo doar dinheiro anonimamente. De acordo com esses pesquisadores, o mais provável é que o ancestral comum das três espécies, seres humanos, bonobos e chimpanzés, já tivesse essa característica. Portanto, esta descoberta difere da hipótese anteriormente assumida de que os humanos só teriam desenvolvido o altruísmo depois da separação com o gênero Pan.

Os bonobos se distinguem pela postura mais ereta do que os chimpanzés, constituem uma sociedade mais igualitária e matriarcal e apresentam uma atividade sexual própria, não existindo relação direta entre sexo e reprodução. Por sinal, o sexo tem um peso grande nas suas relações, em geral como elemento reconciliador, estando presente ao longo de toda a vida adulta da espécie. Empatia e altruísmo são características que os bonobos têm particularmente desenvolvidas, ou seja, a capacidade de compreender o sentimento ou a reação de outro indivíduo, imaginando-se nas mesmas circunstâncias, e fazer algo em função disso.

O que nós humanos temos a, humildemente, aprender com as demais espécies? Por exemplo, os bonobos podem ser interessantes inspirações para características essenciais nos dias atuais: a empatia e o altruísmo. Temos, naturalmente, um grande potencial empático e altruísta, mas que, fruto do convívio em sociedades de grande escala, demanda permanentes reconexões, via educação, com algo que podemos ter inibido ao longo do tempo. Educar, contemporaneamente, tem múltiplos objetivos, entre eles aumentar nossa empatia e ampliar nossa capacidade de sermos solidários. Ou seja, desenvolver a compaixão, tentando compreender sentimentos e emoções dos demais, experimentando de forma objetiva e racional o que sentem outros indivíduos, e, em função disso, agir.

Ao promovermos, pela educação, a empatia e a solidariedade, queremos motivar que as pessoas se entendam e se tornem mais inteligentes, contribuindo com um mundo melhor. Ser empático e altruísta significa estabelecer afinidades por se identificar com os demais, saber escutar, compreender os seus problemas e emoções e, desta forma, ser um melhor profissional, seja em que campo de atividade for. Educar, cada vez mais, inclui na formação do educando, em complemento ao conjunto de técnicas e procedimentos tradicionais, novas habilidades e competências. Entre elas, trabalhar coletiva e solidariamente para resolver problemas e completar, com sucesso, as missões que lhe são conferidas.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Educação: muitas perguntas e algumas respostas

June 14, 2017 16:42
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  1. Como as escolas vêm lidando com as tecnologias digitais nos dias de hoje?

As tecnologias digitais invadiram a secular instituição escola de fora para dentro, sem que as escolas tivessem o devido tempo para se preparar.  Assim, em consequência, os desafios são enormes.

Caminhamos a passos largos para um mundo de educação permanente ao longo da vida e onde a informação está, cada vez mais, totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e basicamente gratuita. De alguma forma, todos seremos estudantes para sempre e a informação em si o mais barato e vulgar dos produtos ou serviços.

Uma das mais relevantes consequências da preponderância das tecnologias digitais é que, do ponto de vista metodológico, observamos uma mudança progressiva de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, incluindo as habilidades transdisciplinares e socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, resiliência, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções. 

  1. E isso é fácil de ser adaptado em escolas particulares. Mas, e as escolas públicas? Como podem ser adaptadas?

Sobre a questão mais relevante a ser enfrentada, creio que tanto faz a escola ser pública ou privada. Tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição ou ao aprender simples) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição ou o sofisticado aprender a aprender). Tais estratégias educacionais passam por enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e em aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criativa conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais

  1. E esse modelo de escola do futuro que vem surgindo e ganhando espaço no Brasil?

A escola do futuro deve dar respostas hoje para temas que estão presentes desde ontem e continuam sem respostas satisfatórias. Educar tem se tornado mais complexo porque abarca o imprescindível conteúdo acadêmico, mas introduz, adicionalmente, novas exigências e perspectivas. Atitudes, comportamentos e posturas são elementos transversais presentes nos processos de aprendizagem de praticamente todas as áreas do conhecimento e em todas as suas fases.

No passado recente, a formação de um profissional estava bastante centrada na aquisição de um conjunto razoavelmente bem delimitado de conteúdos previamente estabelecidos, somado a uma série conhecida de técnicas e procedimentos. Essa formação era considerada razoavelmente suficiente para atender as demandas previsíveis de um modelo de desenvolvimento econômico predominante no século XX. Na perspectiva Fordista/Taylorista, tal profissional findava atendendo ao mercado, gerando cidadãos minimamente satisfeitos. Não mais. O mundo mudou rapidamente, os principais desafios contemporâneos apresentam ingredientes basicamente imprevisíveis.

Aprender a aprender passa a ser tão ou mais relevante do que simplesmente aprender. Mais relevante do que o conteúdo aprendido é a percepção acerca de como se aprende. Em um mundo de educação permanente ao longo da vida, a formação metacognitiva se constitui em um diferencial significativo na capacidade dos futuros profissionais de enfrentar os problemas que lhes serão apresentados pela sociedade contemporânea.

  1. Mesmo com toda essa tecnologia, os jovens ainda enfrentam graves problemas em redes sociais, como erros de português e falta de entendimento de textos. Como as redes sociais podem se tornar aliadas na educação?

As tecnologias digitais, suponhamos, podem ser o veneno. E, de fato, às vezes, são mesmo. Mas é do próprio veneno que se produz o antídoto a ele, assim como se faz com cobras peçonhentas. Há que se explorar metodologias inovadoras, acompanhadas das novas tecnologias, que contribuam para que nossos jovens e crianças leiam mais, escrevam mais e melhor, bem como sejam capazes de entender - e bem - textos complexos. Entendo que explorar a metacognição vai além dos procedimentos usuais de transmissão simples do conhecimento, privilegiando a curadoria precisa e eficiente do conteúdo digital a ser disponibilizado e a adoção de abordagens emancipadoras, especialmente aquelas baseadas em aprendizagem independente.

Cabe ao educador ampliar as competências e habilidades que habilitam o educando a enfrentar, sem medo, as imprevisíveis novas realidades. Preparar os docentes para explorar essas especiais capacidades é um dos maiores desafios da educação contemporânea e ainda estamos aprendendo a formar adequadamente tais professores. O drama é que temos pouco tempo e estamos atrasados. Esse educador é imprescindível imediatamente para a geração de profissionais e cidadãos aptos a colaborarem com uma sociedade mais justa e harmônica, com desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.

  1. Portugal é um país que vem se destacando na educação e um dos métodos utilizados é a memorização. O senhor é a favor desse método?

Portugal tem enfrentado bem seus problemas, dentro de sua realidade e acho fundamental que conheçamos profundamente suas soluções preliminares. No entanto, isso não quer dizer copiá-los acriticamente, tampouco desconhecer as diferenças, incluindo que a escolaridade dos pais em Portugal é superior à escolaridade média dos pais brasileiros.

Mais do o esforço da memorização, creio que a realidade brasileira sugere particularmente estimular a criatividade, a capacidade de enfrentar problemas e o desenvolvimento de resiliência. A maioria das metodologias educacionais, envolvendo os respectivos procedimentos e abordagens, tem tradicionalmente adotado como objetivo central evitar os tropeços dos alunos. Fundamentalmente, o ensino tradicional, ao informar, o faz para que o educando acerte e evite, a qualquer custo, os erros. De forma resumida, ter sucesso, normalmente, quer dizer não levar tombos, sabendo responder as questões corretamente e completando positivamente e no menor tempo possível os desafios apresentados.

 A título de exemplo, num teste padrão de múltipla escolha interessa, em geral, somente a resposta certa, sendo que, usualmente, as respostas erradas nada mais são do que respostas erradas. A educação contemporânea, no contexto dos usos adequados das tecnologias digitais, diverge frontalmente de tal postura. Atualmente, tendemos a aproveitar tanto a resposta certa, valorizando o aprendido, como a resposta errada, como elemento que ilumina os caminhos de superação das deficiências. Os erros, potencialmente, podem dizer mais sobre o educando do que o acerto eventual.

Os modelos padrão e suas práticas usuais de ensino têm sobrevivido porque níveis razoáveis de sucesso puderam ser observados no passado, gerando a expectativa de que, provendo informações com competência e evitando os tropeços, teríamos solução educacional também para o presente e, eventualmente, até mesmo para o futuro. Nada mais ingênuo. Os velhos tempos, onde razoáveis eficiências e eficácias educacionais foram observadas, se caracterizam, principalmente, pela previsibilidade do mundo do trabalho, por demandas profissionais bem estabelecidas e futuros próximos razoavelmente conhecidos. Os novos tempos apresentam mudanças profundas, implicando em desafios inéditos, onde o ensino tradicional, tal como o praticamos, dá mostras claras de incapacidade de decifrá-los ou resolvê-los.

Entre as rápidas mudanças em curso está aquela que torna progressivamente a informação o produto mais disponível e o mais barato da atualidade. O surgimento de uma sociedade em que a informação está totalmente acessível, instantaneamente disponibilizada e gratuitamente adquirível traz consequências educacionais ainda não assimiladas e, por vezes, sequer percebidas. As ênfases e os focos demandam imediatas mudanças, em especial deslocando o centro do processo de aprendizagem baseado no simples saber, enquanto ser informado, em direção ao complexo saber resolver, baseado na informação assumida como completamente disponível, instantânea e gratuita.

Mais do que o simples acesso à informação, gerir corretamente o conhecimento disponível, trabalhar em equipe e assim decifrar e resolver os problemas passam a ser atitudes fundamentais, tanto no mundo profissional como no dia-a-dia. O ensino segmentado e com terminalidades definitivas dá lugar à educação permanente ao longo da vida, onde o aprender a aprender é mais relevante do que o aprender em si. Mais importante do que aquilo que foi aprendido é ampliar a consciência e o domínio acerca dos mecanismos associados a como se aprende.

Assim, os novos tempos impõem uma realidade em que é mais importante focar no processo de aprendizagem e nos procedimentos de superação, após o erro, do que a obsessão simples por, a partir das informações adquiridas, tentar nunca tropeçar. Não há nenhuma garantia de que aqueles que nunca tropeçaram saberão levantar, caso errem. Mas há fortes indicadores de que aqueles que aprenderam a aprender terão todas as condições de enfrentar os tombos. Muito mais importante que a ênfase na memória e evitar tropeços, portanto, é aprender a levantar.

  1. Por onde começar para o Brasil ter uma educação pública de qualidade?

Educação e o contexto social onde ela se realiza não são coisas estanques e totalmente separáveis. Nossa carga cultural traz marcas bem descritas em obras consolidadas. Entre elas, destaco “Casa Grande & Senzala” de Gilberto Freire. Neste e em outros estudos, são enfatizados, de um lado, uma elite acostumada às benesses e aos privilégios, que justificam e estimulam o paternalismo e a acomodação, e, de outro, os demais, em geral submetidos à exclusão e à opressão, que desfavorecem a emancipação e as iniciativas empreendedoras. A tradição histórica que se reflete nas relações, seja nas ruas ou no trabalho, infelizmente, também repercute nas salas de aula, via pedagogias que prioritariamente estimulam a aprendizagem marcadamente dependente e distante da emancipação.

Ou seja, em outras palavras, o Brasil tem que perceber algo simples e que parecemos querer, ingenuamente, enganar a nós mesmos. Somos um dos países de maior contraste social do planeta e pagamos um preço muito alto por isso. Entre eles, a notável incapacidade de termos um desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Isso decorre principalmente de termos uma produtividade muito baixa, a qual é consequência da baixa escolaridade (anos de estudo) e da má qualidade dos anos estudados. Os da camada de cima, que são poucos e têm tudo, apresentam poucos motivos para se aprimorarem e se desafiarem adequadamente e se tornam, intelectualmente, preguiçosos, com as devidas exceções (que contribuem para confirmar a regra). Os da camada de baixo, que são muitos e têm muito pouco, mesmo que se por ventura talentosos, têm baixíssimas chances de progredir. Assim, uma sociedade de Casa Grande de um lado e a Senzala de outro raramente é competitiva, produtiva e sustentável. Assim, embora educação seja uma ferramenta indispensável para a solução do problema, definitivamente, ela não é a raiz isolada do problema.

  1. Hoje mudou muito o perfil de uma instituição de educação superior com o avanço dos cursos a distância. É o futuro?

Mais do que a educação a distância, a qual é somente uma modalidade disponível, creio que as ferramentas advindas do uso intenso e adequado das tecnologias digitais deverão alterar a face da educação superior.

Destaco, entre outras novidades, a analítica da aprendizagem (em inglês, learning analytics), a qual diz respeito à abordagem baseada na coleta e análise sistemática de dados sobre os educandos e seus contextos, tendo em vista o entendimento e a otimização do processo de aprendizagem e do ambiente no qual ele ocorre. Analítica da aprendizagem está associado ao desenvolvimento de ações e estratégias educacionais implementadas com o suporte de modelos, simulações e padrões estatísticos. Tal processo viabiliza conferir a eficiência e eficácia de metodologias educacionais, conhecer mais sobre todos os atores envolvidos e aprimorar de forma inteligente e substantiva a prática pedagógica.

 Coletar e analisar dados, como elemento de suporte para tomada de decisões, é o que nós fazemos todos os dias, mesmo que de forma natural e inconsciente. A novidade é que no mundo digital são gerados dados em níveis sem precedentes e, consequentemente, podemos dispor atualmente de estratégias inovadoras, assentadas na capacidade de predições inéditas, decorrentes do uso sistemático, sofisticado e inteligente de estatísticas de grandes massas de dados. Esta realidade é amplificada no mundo educacional atual pelo uso crescente de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto na modalidade presencial como a distância. A plataforma virtual, a qual permite a utilização de diversas mídias e demais recursos para apresentar as informações associadas à aprendizagem, é o mesmo ambiente que viabiliza coletar automaticamente dados e analisar o desempenho dos alunos, tanto coletivamente como individualmente.

 A mais relevante característica da estratégia baseada na analítica da aprendizagem é que pela primeira vez quebramos o paradigma de que o aumento da quantidade é necessariamente associado ao rebaixamento de qualidade. Pelo contrário, ela permite conjugar escala e qualidade, de tal forma que quanto maior a quantidade de dados as análises geradas tendem a ser mais confiáveis, colaborando ainda mais no conhecimento e na avaliação das ações educacionais em curso e no incremento do potencial das iniciativas futuras.

 Atualmente, é possível conceber que todos os educandos podem aprender e todos aprendem o tempo todo, porém, cada educando aprende de maneira única e personalizada. Para tanto, educação contemporânea significa construir um ensino híbrido, flexível e customizado. A partir dos comportamentos dos estudantes, individualmente ou coletivamente, seja nas atitudes frente a desafios propostos ou via respostas, certas ou igualmente úteis erradas, às questões formuladas, é possível, por meio do desenvolvimento de algoritmos especiais, saber muito sobre cada educando. Isso inclui conhecer suas principais características, expectativas, lacunas, predicados etc. De posse da máxima percepção global sobre o aluno e frente a cada situação educacional específica, podem os educadores e educandos, apoiados por plataformas inteligentes, escolher de uma multiplicidade de trilhas educacionais a mais adaptada. Não menos importante, ao longo do processo, o aluno se permite conhecer melhor a si mesmo, ampliando seu nível de consciência acerca dos mecanismos e contextos nos quais ele otimiza seu aprendizado.

 Com a abordagem baseada em analítica da aprendizagem passamos a dispor de uma ferramenta adicional indispensável aos educadores contemporâneos. Portanto, torna-se possível ampliar significativamente a capacidade de aprender a aprender, o que é absolutamente imprescindível em um contexto de educação permanente ao longo da vida. Fruto do uso adequado de novas tecnologias, em conjunto com a adoção de metodologias educacionais inovadoras, temos, pela primeira vez, a real oportunidade de propiciar educação de qualidade para todos.

  1. A escola do futuro defende que futuramente vários cursos superiores desaparecerão e haverá uma mudança mais para cursos profissionalizantes. Como o senhor imagina isso?

Creio que, ao contrário, no futuro as escolas, da creche à pós-graduação, se dedicarão cada vez mais a ensinar a aprender a aprender. As aplicações em si (profissionalizantes) serão processos adaptativos associados a missões específicas e poderão, a depender do caso, ser aprendidos no próprio ambiente de trabalho sem maiores problemas. Portanto, no processo educacional, adicionalmente aos conteúdos a serem abordados, em complemento às técnicas e procedimentos que um futuro profissional ou cidadão devem dominar, há outros elementos, tão ou mais relevantes, que demandam estar presentes. Entre eles, a aprendizagem independente é essencial e não exclui o professor; ao contrário, o inclui via a adoção de metodologias que estimulem processos emancipatórios na aprendizagem.

 A notícia positiva é que o mundo das tecnologias digitais favorece a missão de estimular processos emancipatórios e mantém grande coerência com as metodologias ativas que se baseiam em aprendizagem independente, mediadas tanto pelo educador como pelos ambientes virtuais. Via as interfaces educacionais inteligentes e os recursos e ferramentas atualmente disponíveis, é plenamente possível traçar trajetórias educacionais personalizadas que levam em conta cada indivíduo, bem como fortalecer aspectos culturais e demais especificidades regionais e locais.

Temos a oportunidade inédita de conjugar escala e qualidade, contrariando as práticas anteriores, caracterizadas por qualidade para poucos ou, alternativamente, má qualidade sempre que estendida aos demais (todos). Contemporaneamente, ao contrário, podemos afirmar que só haverá qualidade se tivermos variadas referências para acesso, fruto de adotarmos tecnologias e metodologias que sejam aplicáveis para muitos. Hoje, seja na educação, na saúde ou em demais setores, inovar no Brasil é ousar propiciar qualidade para todos.

 Os níveis extremos de compatibilidade e de pertinência das organizações educacionais, incluindo as metodologias e os modelos de gestão escolares adotados, fizeram delas das mais bem-sucedidas e respeitadas instituições do mundo moderno. Especialmente no século XX, seu ápice. A escola, no sentido amplo, contribuiu significativamente para grandes avanços em termos de ampliação do acesso a serviços e a produtos de qualidade. Foi dentro dos seus muros que foram gerados os conhecimentos que resultaram no aumento da expectativa de vida e, principalmente, produziram as condições para a grande revolução decorrente das tecnologias digitais, as quais estão a transformar, num processo ainda em curso, o mundo contemporâneo.

 A escola tem cumprido várias funções, entre elas, a de ser o espaço de transmissão de conhecimento, formando cidadãos que dominam certos conteúdos e profissionais habilitados a determinadas técnicas e procedimentos específicos. Nesta concepção, os níveis escolares refletem etapas formativas com diferentes graus de profundidades e os respectivos diplomas e certificados atestam os conhecimentos adquiridos e as respectivas competências e habilidades associadas a cada uma das áreas do saber.

Todas as instituições e setores contemporâneos estão sendo e serão profundamente afetados pelas tecnologias digitais, em especial a escola, dado que a marca dos novos tempos é a emergência de uma sociedade na qual a informação está plenamente disponível, imediatamente acessível e essencialmente gratuita. Assim, as instituições educacionais, por sua relação orgânica com a informação e o conhecimento, demandam ser especialmente reconceptualizadas. Neste século XXI, mais do que no século anterior, elas devem ser repensadas à luz de um cenário onde mais relevante do o que foi aprendido é aprimorar a capacidade de aprender a aprender. Informação, em si, passa a ser o mais disponível e vulgar dos produtos.

 Aprendemos, a partir de agora, dentro e fora da escola, a qualquer tempo e por qualquer meio e o fazemos, principalmente, como meio de ampliar nossa consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ampliamos nossa capacidade de aprender a aprender.  A escola que marcava suas etapas pelos diplomas e certificados, atestando os conhecimentos adquiridos, nas formas de conteúdos, técnicas e procedimentos, dá espaço a um novo conceito onde as etapas correspondentes, da creche ao pós-doutorado, se caracterizam essencialmente pelos níveis diversos da capacidade de aprender continuamente em um mundo de educação permanente ao longo da vida.

 Há uma essência perene nas funções da escola e do professor, mas certamente ela não está em seus prédios ou nos modelos de gestão, tampouco nas atuais metodologias e abordagens educacionais. Enfim, é rica e bela a história da escola, uma instituição que hoje, promissoramente, se prepara para se reconfigurar plenamente visando a atender as demandas do futuro. Futuro que começou na semana passada.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Herança educacional perversa

May 22, 2017 11:43
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Educação é uma das mais relevantes e eficientes ferramentas para a promoção de oportunidades de ascensão social. Porém, educação não é um instrumento neutro; ao contrário, por ser tão eficaz, ela funciona, em certas circunstâncias, cumprindo também o papel oposto, ou seja, o perverso aumento das desigualdades e a cristalização da exclusão.

Os tempos mudaram e certos conceitos ficaram para trás. Fácil perceber que os títulos de nobreza, muitos deles hereditários, têm bem menos relevância atualmente do que desfrutavam antigamente. Mais recentemente, as camadas mais esclarecidas e privilegiadas, progressivamente, percebem que há algo mais importante do que simplesmente deixar riquezas materiais aos seus herdeiros. Trata-se, principalmente, de proporcionar às crianças e aos jovens capacitação intelectual diferenciada, incluindo todas as formas de competências e habilidades, tal que lhes permitam competir em condições favoráveis quando adultos. 

Ainda que em si elogiável e coerente tal atitude, interessante observar que, em consequência, remete ao poder público e à sociedade em geral um desafio complexo e sofisticado. Aquilo que os pais decidem fazer com seus recursos, dentro dos limites apropriados, é de competência exclusiva deles e optar por investir em educação é legítimo e elogiável. No Brasil, dados disponíveis mostram claramente que a máxima correlação entre os aprovados nos vestibulares mais concorridos está associada, mais do que à renda familiar, à escolaridade dos pais. Ou seja, pais escolarizados tendem, o que é natural, a ter mais preocupação com o tema e propiciam, direta ou indiretamente, um contato doméstico com letramentos preliminares, acessos a leituras e demais suportes complementares. Ao Estado cabe decifrar o contexto e implementar políticas públicas compatíveis que viabilizem procurar igualar oportunidades.

Na China, na província de Xangai, escolas particulares para selecionar seus alunos realizam testes com os respectivos pais e avós, fazendo dos passados educacionais e profissionais deles critérios para aceitação de seus filhos. Na mesma medida em que a desigualdade de renda cresce, os pais da emergente classe média chinesa abandonam as escolas públicas à procura de diferenciais que permitam angariar vantagens aos seus filhos. Neste caso, educação, projetada para atuar em direção à igualdade de oportunidades e aumento de mobilidade social, funciona como cristalização de diferenças e, eventual, eternização de desigualdades.

O drama maior, seja no Brasil ou na China, não é a oportunidade de boa educação aos filhos dos mais ricos ou escolarizados, mas sim a insuficiente qualidade da educação reservada aos menos favorecidos, resultando, na prática, numa gigantesca perda de talentos. Como consequência, ao desperdiçar talentos, a capacidade global da sociedade, em termos de desenvolvimento social, econômico e ambiental, é afetada negativamente. O que podemos estar aceitando é introduzir um nível cada vez mais forte de artificialidade em um processo que deveria, em princípio, ser baseado em maximizar as potencialidades de todos. Os futuros cidadãos e profissionais estariam largando de bases muito desiguais na infância, permitindo aos felizardos que, mesmo com menos talento, possam sobrepujar aos demais, eventualmente mais capacitados, porém, excluídos antes da partida começar.

A nobreza perdeu privilégios, fruto das revoluções republicanas. As democracias recentes impuseram ao domínio simples do capital algumas derrotas, expressas por importantes conquistas sociais. Claramente não havia correlação direta entre nobreza ou riqueza com talento, portanto, aquelas perdas foram reconhecidas como justos avanços e ganhos de produtividade. A versão contemporânea dos títulos de nobreza ou da riqueza de bens materiais é o papel reservado à escolaridade dos pais. Fenômeno este que se torna mais evidente quando a maioria deles viveu, quando jovens, em sociedades, a exemplo de Brasil e China, com relativamente baixo acesso à educação.

O enfretamento positivo deste tema é muito complexo e não há medida isolada que dê conta do enigma. A utilização intensa e adequada das oportunidades que as tecnologias digitais propiciam de acesso pleno, instantâneo e gratuito ao conhecimento, certamente, faz parte do conjunto de soluções. Cabe ao poder público e às demais iniciativas da sociedade, em seus planos de conjugar qualidade e quantidade, saberem decifrar este sofisticado e urgente desafio.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

O fim da escola sem fim

May 15, 2017 11:53
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As raízes mais remotas da escola, tal como nós a conhecemos hoje, estão depositadas na Grécia Antiga, especialmente referenciadas, ao redor do século IV a.C., na Academia de Platão e no Liceu de Aristóteles. A escola nasce com o objetivo de formar os futuros dirigentes de Atenas, indo além dos sofistas, à medida que estabelecia um espaço comum permanente, frequentado de forma regular por mestres e discípulos, atores fixados no mesmo objetivo de repassar e receber conhecimentos.  

Passados quase dois milênios e meio, essa escola viria a atingir seu apogeu na fase mais madura da revolução industrial no século XX, onde a demanda em grande escala por mão de obra especializada foi atendida com enorme competência e maestria.  Nesses milênios, educação foi favorecida pelo surgimento do livro moderno no século XV, pela consolidação do método científico no século XVII, pela máquina a vapor e outras tecnologias no século seguinte e, especialmente, pela Revolução Industrial nos tempos que se seguiram.

Os níveis extremos de compatibilidade e de pertinência das organizações educacionais, incluindo as metodologias e os modelos de gestão escolares adotados, fizeram delas das mais bem sucedidas e respeitadas instituições do mundo moderno. A escola, no sentido amplo, contribuiu significativamente para grandes avanços em termos de ampliação do acesso a serviços e a produtos de qualidade. Foi dentro dos seus muros que foram gerados os conhecimentos que resultaram no aumento da expectativa de vida e, principalmente, produziram as condições para a grande revolução decorrente das tecnologias digitais, as quais estão a transformar, num processo ainda em curso, o mundo contemporâneo.

A escola tem cumprido várias funções, entre elas, a de ser o espaço de transmissão de conhecimento, formando cidadãos que dominam certos conteúdos e profissionais habilitados a determinadas técnicas e procedimentos específicos. Nesta concepção, os níveis escolares refletem etapas formativas com diferentes graus de profundidades e os respectivos diplomas e certificados atestam os conhecimentos adquiridos e as respectivas competências e habilidades associadas a cada uma das áreas do saber.

Todas as instituições e setores contemporâneos estão sendo e serão profundamente afetados pelas tecnologias digitais, em especial a escola, dado que a marca dos novos tempos é a emergência de uma sociedade na qual a informação está plenamente disponível, imediatamente acessível e essencialmente gratuita. Assim, as instituições educacionais, por sua relação orgânica com a informação e o conhecimento, demandam ser especialmente reconceptualizadas. Elas devem ser repensadas à luz de um cenário onde mais relevante do o que foi aprendido é aprimorar a capacidade de aprender a aprender. Informação, em si, passa a ser o mais disponível e vulgar dos produtos.

Aprendemos, a partir de agora, dentro e fora da escola, a qualquer tempo e por qualquer meio e o fazemos, principalmente, como meio de ampliar nossa consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ampliamos nossa capacidade de aprender a aprender.  A escola que marcava suas etapas pelos diplomas e certificados, atestando os conhecimentos adquiridos, nas formas de conteúdos, técnicas e procedimentos, dá espaço a um novo conceito onde as etapas correspondentes, da creche ao pós-doutorado, se caracterizam essencialmente pelos níveis diversos da capacidade de aprender continuamente em um mundo de educação permanente ao longo da vida.

Há uma essência perene nas funções da escola e do professor, mas certamente ela não está em seus prédios ou nos modelos de gestão, tampouco nas atuais metodologias e abordagens educacionais. Enfim, é rica e bela a história da escola, uma instituição que se pensava sem fim e que hoje, promissoramente, se prepara para se reconfigurar plenamente.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Novos horizontes educacionais

May 4, 2017 16:49
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Educar está progressivamente se tornando mais difícil e desafiador. Ingressamos em uma sociedade na qual a informação está totalmente acessível e é instantaneamente disponibilizada, de forma gratuita. Diante deste cenário, tão ou mais relevante do que aquilo que foi aprendido (associado genericamente à cognição ou ao ato de aprender) é o amadurecimento da consciência, por parte do educando, acerca dos mecanismos segundo os quais ele melhor aprende (metacognição ou ato de aprender a aprender).

Vivenciaremos uma mudança progressiva de foco em direção a privilegiar as chamadas competências metacognitivas, incluindo as habilidades interdisciplinares, transversais e socioemocionais. Entre as características metacognitivas, destaco, a título de ilustração, aprendizagem independente, solução de problemas complexos, perseverança, autocontrole emocional e cumprimento simultâneo de multitarefas em equipe. Tais predicados são especialmente relevantes em missões envolvendo pensamento crítico, capacidade analítica, uso do método científico, comunicação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, empatia, cordialidade, respeito e gestão da informação e de emoções.

Visando a entender melhor os horizontes educacionais no panorama mundial, o projeto “Horizon Project”, uma iniciativa do New Media Consortium (NMC), apresenta anualmente, de forma analítica e aprofundada, um balanço acerca das metodologias educacionais e tecnologias emergentes com impactos nos processos de ensino e aprendizagem.

A Edição Horizon 2017 é um esforço colaborativo entre o NMC e a Iniciativa de Aprendizagem Educause (ELI). No caso específico do Brasil, o relatório é capitaneado pela Editora Saraiva e o Grupo “Somos Educação”, assessorados por um Comitê de Especialistas, do qual, a convite dos Organizadores, tenho a honra de participar. O objetivo central é identificar e definir as principais tecnologias emergentes que impactarão nos próximos cinco anos a aprendizagem e a pesquisa no contexto da educação superior brasileira. Para saber mais, basta acessar o link: http://nmc.org/nmc-horizon.

As novas estratégias educacionais passam agora a enfatizar elementos motivacionais, incluindo atenção especial a trabalhos colaborativos (capacidade de produzir em equipe) e aspectos interdisciplinares (habilidade de estabelecer conexões entre diversas áreas do saber), acrescidos de relevância de comportamentos como tolerância e compaixão (empatia aplicada, isto é, entender o outro por se colocar na posição do outro e agir em função disso). São também relevantes os estímulos à visão empreendedora (criatividade conjugada com exequibilidade e sustentabilidade) e o especial domínio de linguagens e de plataformas digitais.

Complementarmente, algumas áreas que hoje ainda estão incipientes deverão se projetar fortemente ao longo dos próximos cinco anos. Entre elas, destaco genômica educacional e analítica da aprendizagem. Devido aos avanços em genética e das tecnologias digitais, será mais simples o uso de informações detalhadas sobre o genoma humano e, desta forma, identificar sua parcela de contribuição para características particulares relacionadas aos processos educacionais.

Genômica educacional, juntamente com analítica da aprendizagem, podem ser as chaves para uma educação personalizada. Ao colaborar no desenho de estratégias educacionais e currículos customizados, evitamos penalizar os educandos que não se encaixam nos modelos educacionais mais tradicionais voltados ao atendimento da média.

 

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Educação e corrupção

April 24, 2017 11:28
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Educação está associada a todos os comportamentos e hábitos, individuais ou coletivos. Mesmo assim, não há uma correlação simples, direta e óbvia entre educação e corrupção. Países com indicadores educacionais altos apresentam casos escandalosos e sistemáticos, enquanto países com índices de escolaridade relativamente menores, por vezes, têm históricos apenas pontuais e menos endêmicos. Guardadas as diferenças e circunstâncias, não há, e provavelmente não haverá, nação ou setor da sociedade totalmente imunes a essas práticas, as quais, demandam ser fortemente reprimidas e condenadas, sempre.

A permissividade à corrupção ou sua relativização (todos fazem ou sempre foi assim), como sabemos, cobra um preço muito alto, especialmente na formação cultural do indivíduo e da sociedade como um todo. O enfrentamento da corrupção é um processo permanente no qual educa-se mais ou educa-se menos, a depender da qualidade com que ele é desenvolvido. Se a pergunta acerca do quanto nos educamos ao longo do processo não estiver presente, mesmo ações, em tese, bem-intencionadas, podem, eventualmente, gerar resultados que se contrapõem às próprias motivações que as geraram, piorando o quadro social a ser transformado.

Educa-se quando na divulgação dos processos em curso se ressalta a transparência, os avanços obtidos e tem-se, como resultado, a consolidação das instituições e a construção coletiva de novos patamares de honestidade. Não se educa, ou educa-se mal, quando se prioriza o tom generalizante ou se estimula atos persecutórios para satisfazer a ânsia irracional ou interesses imediatos, desvalorizando a democracia e as instituições, piorando a percepção do indivíduo sobre o meio em que vive.  

Como apontado pela pesquisadora Nara Pavão (https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/04/21/onda-de-corrupcao-gera-cinismo-politico-e-desmobiliza-eleitores-diz-pesquisadora.htm), o pior resultado possível de um processo político é o aumento do cinismo, fruto da conclusão generalizante de que, afinal, todos são corruptos, afastando os cidadãos das boas práticas políticas e ampliando no dia-a-dia a sua tolerância com toda sorte de comportamentos inadequados. A pesquisadora demonstra que eleitores submetidos a uma sobrecarga de noticiários mais espetaculares e menos analíticos tendem a entender a corrupção como uma constante, e não mais como uma variável a ser considerada na hora da escolha no voto.

É compreensível, ainda que nem sempre aceitável, que, do ponto de vista individual, um cidadão esteja revoltado e, em certas circunstâncias, dê vazão aos seus instintos mais irracionais, via generalizações inadequadas e desprezo pela democracia e por quaisquer práticas coletivas e solidárias. A relativa tolerância com o indivíduo não deve ser a mesma com os setores institucionalizados. Qualquer um deles, incluindo o próprio judiciário ou os meios de comunicação, se examinados com as mesmas métricas e ênfases que eles aplicam aos demais setores, provavelmente, evidenciariam níveis de corrupção de mesma monta.

Não se trata de favorecer a generalização que, indevidamente, absolve, mas sim da abrangência plena que esclarece, aprofunda e educa. Da mesma forma, não se trata jamais de deixar de fazer as coisas que devem ser executadas, como divulgar, averiguar e condenar, mas fazê-las na abordagem e na amplitude que eduque, preparando a todos para o exercício permanente e racional do combate sem tréguas à corrupção.

Para o país, mais relevante do que satisfazer os eventuais ódios momentâneos do presente é a consolidação dos mecanismos perenes que motivem acreditar no futuro. Um sonho educado e realista não é um mundo sem corrupção e sem corruptos; mas, sim uma sociedade com instituições e processos que desestimulem, julguem e punam, dentro dos marcos da lei, os infratores. Precisa, para começar, que todos queiramos construir algo que assim seja e educação também tem a ver com aquilo que se consolida, depois que estes momentos passam.

Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Os desafios da Educação brasileira

February 6, 2017 17:55
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Simone Viana, Professora da Estácio de Sá

Os problemas e desafios da Educação brasileira figuram sempre no topo das listas de discussões entre profissionais da área e seus representantes no governo. Em uma pesquisa de opinião, o problema fundamental do Brasil seria a precariedade da Educação. É notório que as políticas públicas precisam priorizar o combate às desigualdades sociais, e um grande passo é promover a Educação de qualidade como um direito social. Para que haja mudança, é preciso que a sociedade esteja convencida de que todos precisam contribuir, inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais. A Educação é essencial para a conquista do desenvolvimento socioeconômico!

Considera-se a Educação um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Mas é oposto que ocorre no cenário brasileiro. Nesse contexto, todos se prejudicam: educandos e educadores, filhos e pais, cidadãos e país. O sistema educacional do país está envelhecido, ultrapassado, e não acompanha o ritmo do novo milênio. Não basta elaborar e aplicar testes que avaliam o desempenho dos estudantes, é preciso estimular e promover o crescimento de cada aluno no dia a dia, e o professor é a peça-chave deste processo, a chave para a melhoria do ensino.

A Lei de Diretrizes e Bases do Ensino e o Plano Nacional de Educação já deram o diagnóstico e a receita. Se apenas cumpríssemos as leis, já daríamos imenso passo na direção da universalização com qualidade. Mas as ações governamentais não correspondem às expectativas geradas pela LDB ou pelo PNE, não dão continuidade a um projeto educacional já aprovado pela sociedade. Esse é grande equívoco que o governo tem cometido, por visar apenas a uma política de interesses próprios, atendendo ao capitalismo neoliberal e disseminando os direitos sociais da nação.

Melhorar a Educação é fundamental para qualquer sociedade crescer de forma sustentável com justiça social, e para isso precisamos de ações mediadas por efetiva colaboração entre União, Estados e Municípios, objetivando assegurar políticas que promovam a Educação para todos.